Com o intenso fluxo migratório de venezuelanos, do início de 2015 até fevereiro de 2025, 1.264.631 estrangeiros oriundos do país vizinho entraram no Brasil e, desse total, 672.016 decidiram ficar no território brasileiro, conforme dados do Subcomitê Federal para Recepção, Identificação e Triagem dos Imigrantes (Brasil, 2025). Além do deslocamento geográfico, as crianças e adolescentes que acompanharam suas famílias, migraram para as escolas brasileiras e vivenciaram o processo de integração à nova realidade escolar, discrepante da experiência herdada no país de origem, por ser outro sistema de ensino, outras práticas e realidades. Como consequência, precisam se adequar à língua, à escrita, à cultura de um outro ambiente escolar e de uma outra sociedade, aos conflitos do convívio social dentro e fora da escola, assim também ao drama de ser sujeito à margem no Brasil, sofrendo preconceitos diversos e xenofobia, vivendo em péssimas condições de moradia, além das questões acerca da identidade enquanto aluno e imigrante. Portanto, o objeto da pesquisa se fundamenta nas narrativas de vida de sujeitos da migração venezuelana no contexto escolar de Roraima. O objetivo geral é identificar o perfil do sujeito escolar oriundo de fluxos migratórios entre Venezuela e Brasil, à luz das narrativas de estudantes do ensino médio em escolas públicas de Boa Vista/RR. A metodologia da pesquisa é qualitativa e fundamenta-se nas narrativas de vida, a partir de entrevistas coletadas na pesquisa de campo. Nas reflexões desse contexto estão a psicologia e sociologia do sujeito da imigração, a prática do professor, a conduta da escola, o papel do Estado e os fatores sociolinguísticos que cercam o imigrante e as relações sociais, para evidenciar a necessidade de políticas educacionais de acolhimento. Apesar de o início deste texto destacar a atualização dos números da migração venezuelana em 2025, é fundamental ressaltar que um dos desafios do pesquisador é a manutenção desses dados, porque são flutuantes e mudam diariamente. Por esta razão, cabe enfatizar que as informações abordadas na pesquisa estão relacionadas ao contexto de 2023, quando estive em campo, em duas escolas da rede estadual de educação de Roraima. Foi a experiência mais impressionante e relevante que tive em caminhada acadêmica. Espero que, ao ler, você descubra o cenário que experimentei desnudar ao acessar um local particular, alicerçado na vida de quem não é brasileiro e enxerga os espaços das instituições deste país com olhos de descoberta, desconfiança e desconhecimento. Talvez, ao ler, você me diga o mesmo que o professor Dr. Ezer Lima, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), membro da Banca Examinadora, disse no dia da minha defesa deste trabalho de pesquisa: "João, sua tese é uma denúncia", reforçando que é uma leitura essencial para todos os agentes da educação no Brasil.
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Imigrantes venezuelanos na escola pública brasileira: a narrativa de ser aluno estrangeiro
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