O público irá receber em forma de livro a pesquisa primorosa e sensível realizada por Cléuma de Melo Barbosa. Tal publicação é necessária e importante como contribuição à educação crítica em tempos que se faz necessário resistir e combater o crescimento do dogmatismo, o ataque às humanidades no currículo da escola, e tal resistência se justifica particularmente no que concerne ao ensino da filosofia, que vem perdendo espaço no ensino médio brasileiro. O trabalho de Cléuma evoca Paulo Freire – que é um pensador que normalmente se liga à educação de adultos – para criar a categoria “ser-sujeito-criança”, que funciona como fio condutor dos seus argumentos a favor do ensino de filosofia com crianças, particularmente, situando tal ensino nas práxis do Grupo de Estudo e Trabalho em Educação Freireana e Filosofia (GETEFF) que se vincula ao Núcleo de Educação Popular (NEP), da Universidade do Estado do Pará (UEPA). A pesquisa de Cléuma Barbosa aliou a experiência da autora na educação popular no âmbito do NEP, no qual ela atuou no ensino de filosofia com crianças – e não para crianças – à reflexão e à pesquisa sistemática, resultando, desse esforço de práxis, a indicação de uma filosofia da educação freireana, portanto, crítica, do ensino de um filosofar, que inova com relação aos métodos consagrados e instituídos no Brasil. O filosofar “com” as crianças deixa aparecer o potencial formativo de se reconhecer cada uma, como faz a Cléuma, inspirada em Paulo Freire, como ser-sujeito-criança. Uma leitura indispensável para educadores, filósofos e todos aqueles que buscam compreender a relevância da filosofia na infância.
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O ensino de filosofia e a formação do ser-sujeito-criança na educação de Paulo Freire
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