A partir de práticas mágicas e feitiços existentes na Europa criou-se no final do século XV o delito específico da bruxaria: um delito, definido, racional e cientificamente, por teólogos e juristas daquele período. Com a expansão europeia, o conceito da bruxaria chegou a outras regiões do globo e também às Américas Espanhola e Portuguesa, onde existiam outros imaginários sobre o mundo espiritual e transcendente, outras idéias e práticas mágicas. No ultramar sob condições totalmente diferentes, o fenômeno da bruxaria passou por modificações devido ao embate com os novos mundos mágicos, tornando-se um outro fenômeno, sem perder as origens europeias. Surge, de certa forma, um mundo imaginário híbrido, conectando e entrelaçando os universos mágicos do Velho e do Novo Mundo. Focalizando os dois cenários diferentes aquém e além do Oceano Atlântico, os capítulos desta publicação pretendem contribuir para verificar possíveis semelhanças e diferenças do fenômeno da bruxaria e feitiçaria na primeira modernidade.
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O fenômeno da bruxaria nos dois lados do Atlântico: sintoma de tempos em transição
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