Durante sete séculos, uma família sem nome atravessa a História sem nunca entrar nos livros.
O Foral dos Esquecidos acompanha a continuidade silenciosa de uma linhagem anónima nas fragas da Arega e no vale de Alvaiázere, desde o século XIII até ao mundo contemporâneo. Longe de reis, batalhas ou decisões de Estado, esta é a história daqueles que sustentaram o tempo com trabalho, permanência e resistência — e que raramente deixaram rasto escrito.
Organizado em capítulos cronológicos, o livro percorre momentos de rutura e adaptação: a medição da terra em marcos de pedra, a fome e a escassez, o terramoto de 1755, as invasões, a emigração para o Brasil, a guerra, a repressão do Estado Novo. Cada acontecimento surge não como épica nacional, mas como impacto direto na vida concreta de quem ficou, partiu ou resistiu em silêncio.
Ao chegar a 1974 — e estendendo-se simbolicamente até 2026 — a narrativa confronta duas realidades: a História oficial, fixada em arquivos e manuais, e a experiência vivida, transmitida por gestos, hábitos e memória oral. O resultado é um retrato literário da persistência humana, onde a continuidade pesa mais do que a ruptura.
O Foral dos Esquecidos é uma obra de ficção histórica sobre a dignidade dos anónimos, a herança invisível das famílias comuns e a ideia de que nenhuma história coletiva existe sem aqueles que nunca foram registados.