Em uma rua úmida perto do porto de Lisboa, um restaurante misterioso abre suas portas apenas para gatos.
Não há mesas para humanos.
Não há cardápios humanos.
Não há permissão para entrada humana.
Do lado de fora, pessoas observam atrás de grades enquanto gatos entram em silêncio para comer sardinhas assadas, cavala fresca e frango quente servido em pequenas mesas azuis.
Na porta, um enorme gato cinzento fala duas línguas: a dos humanos e a dos gatos.
E todas as noites, depois da refeição, os gatos deixam críticas ao vivo diante das câmeras.
“O peixe tinha gosto de memória.”
“A fome torna todos iguais.”
“Vocês transformam morte em tempero.”
O mundo inteiro começa a assistir.
Enquanto o restaurante se torna fenômeno global, humanos passam a projetar esperança, culpa, solidão e desejo de salvação sobre criaturas que talvez nunca tenham desejado salvá-los.
Poético, inquietante e profundamente humano, O Restaurante dos Gatos que Julgavam Humanos mistura fantasia urbana, crítica social e melancolia marítima portuguesa em uma história sobre escuta, fome emocional e a perigosa necessidade humana de transformar tudo o que ama em espetáculo.