Toda tecnologia inventada transforma a realidade. Toda nova realidade inspira novas tecnologias.
Essa relação entre realidade observada, examinada, pensada e a criação de novas possibilidades só é possível pelo exame do pensamento.
Isso só é possível através das representações mentais.
A ideia da existência de uma realidade dissociada do observador que a examina tem sido posta em dúvida na filosofia da ciência, na neurociência e de uma forma ainda mais desafiadora no campo das ciências humanas.
Com a expansão das tecnologias, não só a noção de realidade tem sido ainda mais desafiada, como na chamada realidade virtual, “à distância”, no “metaverso”, ao ponto de criar-se uma evidente confusão entre quem pensa e o que e quem é pensado. Isso se apresenta tipicamente no caso da discutível existência de uma inteligência artificial. Uma inteligência altamente complexa resolvendo problemas que os humanos lhe propõem com uma facilidade nunca vista nem imaginada.
O observador ou experimentador transforma o objeto da observação:
_ Por criar e delimitar o foco da observação,
_ Em pesquisa experimental, controlar tanto as formas de aparecimento do objeto de estudo como o não aparecimento dos outros eventos (controle de variáveis).
_ Por intervir na forma de observar, implicitamente cria novas formas de perceber o objeto não existentes na condição original dele.
Como resultado da observação e da experimentação, o observador não só transforma o objeto mas a sua própria forma de observá-lo. Essa dinâmica relacional entre observador, experimentador
A descoberta do mundo, interno e externo, implica em atribuir a eles um imaginário. Precisamos imaginar que as coisas e pessoas pensam a nossa imagem e semelhança para compreendê-las tal como um morcego precisa saber da realidade em sua volta emitindo e recebendo o retorno de ruídos de alta frequência. O morcego assim como o homem, não sabe da realidade a não ser se movendo, é nessa condição, emitindo e recebendo informações ao se moverem.
Parados, a informação emitida e recebida podem ser idênticas e o morcego, tanto quanto o ser humano podem perder o interesse e a atenção, se desligando do ambiente e entrando em sono. Neste estado, o intercâmbio de informações se centra no mundo interno, seja isso considerado mental ou físico, todos os animais precisam parar para pensar, seja em vigília e muito mais ainda em estado de sono.