A pesquisa com crianças é uma prática que, apesar de já ser utilizada em muitos trabalhos acadêmicos, ainda é recente, e por isso, de uma literatura pouco significativa. Partindo desse pressuposto, este livro apresenta uma pesquisa realizada com crianças amazônidas da Ilha de Marajó/PA, trazendo em suas narrativas um leque de experiências, cujas práticas sociais, em grande parte, estão conectadas com o rio e a floresta. Trata-se de saberes e brincares entrelaçados pela força que emerge de uma territorialidade altamente educativa, marcada pelo vai e vem das águas, pelo tempo da chuva, da pesca e da colheita de frutos da natureza. Na obra são destacados conceitos e posturas metodológicas adotados em pesquisas com crianças; são mapeados e descritos seus brincares nas águas, os saberes ancestrais, as palavras e seus sentidos, as lendas e o imaginário ribeirinho. É um convite a conhecer um pouco da Amazônia marajoara, dos furos e Igarapés, pelas vozes, sentimentos e visões das crianças e suas múltiplas vozes. Como afirma Paulo Fochi é também um lembrar de “que existe uma pluralidade de infâncias no Brasil, e que a infância ribeirinha, amazônica, marajoara, tem suas particularidades, suas belezas, suas potências. Crianças que não precisam de brinquedos industrializados porque a natureza oferece muito do que é necessário para criar, imaginar, inventar” (Fochi, 2025).
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O que o rio me ensinou?: Narrativas de crianças ribeirinhas da Ilha de Marajó sobre os saberes que nascem em torno do rio
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