O Velho Medo do Novo é um ensaio sobre uma das reações humanas mais antigas: o medo diante daquilo que muda o mundo antes que sejamos capazes de compreendê-lo — e sobre seu engano gêmeo, a crença de que toda novidade é necessariamente progresso.
Toda ruptura importante chega acompanhada de suspeita. A escrita ameaçaria a memória. A imprensa espalharia ignorância. A fotografia roubaria algo da realidade. O cinema falado destruiria a arte do silêncio. A automação acabaria com o trabalho. A internet nos tornaria superficiais. A inteligência artificial, agora, promete roubar empregos, autoria, criatividade, pensamento — talvez até a própria definição do humano.
Mas o erro não está apenas em temer o novo como ameaça absoluta. Está também em aceitá-lo como salvação automática. Cada época produz seus alarmistas e seus entusiastas: uns veem decadência em toda mudança; outros confundem novidade com avanço, velocidade com inteligência e substituição com melhoria.
Este livro percorre episódios históricos, culturais e tecnológicos para mostrar como a humanidade oscila entre esses dois reflexos: rejeitar cedo demais o que ainda não compreende ou abraçar cedo demais o que ainda não demonstrou merecer confiança.
Entre memória pessoal, crítica cultural e reflexão histórica, O Velho Medo do Novo não celebra ingenuamente cada inovação nem ridiculariza todo receio. Seu ponto é mais incômodo: entender quando o medo é prudência legítima, quando é apego ao passado, quando o entusiasmo é lucidez — e quando é apenas uma forma mais elegante de ingenuidade.