Vozes na Encruzilhada reúne dois contos de horror e fantástico nascidos de um jogo literário entre dois autores: um desafio em que cada um escrevia um capítulo.
Em Fragmentos, um homem anónimo acorda todas as manhãs com o eco de batalhas que não travou. Os sonhos são demasiado reais: neve negra, uma criança que aponta para caminhos sem destino, e uma mulher de cabelos negros que o persegue. À medida que a fronteira entre o que sonha e o que vive se dissolve, as memórias que deveria ter começam a emergir. O que revelam é pior do que o esquecimento.
Em Fenrir, William é uma criança que não fala, não olha nos olhos e comunica com o mundo de uma forma que os pais ainda não aprenderam a decifrar. A sua única ligação verdadeira é Fenrir, um cão de pelagem lobeira que parece ser simultaneamente irmão, guia e espelho. O único ser com quem William parece inteiramente ele próprio. Quando Fenrir morre e é substituído, algo na família muda de forma irreversível. William cresce, fecha-se ainda mais, e a floresta à volta da casa começa a responder a uma parte dele que ninguém consegue alcançar.
Dois contos. Duas formas de perder o controlo sobre quem se é. Uma encruzilhada onde nenhum caminho leva de volta ao início.